A dose ideal
seria a dose certeira. Aquela dose capaz de aniquilar tudo. A dose ideal seria
aquela que terminaria tudo em poucos segundos, enquanto os olhos se cerram
silenciosamente. A dose ideal me faria confundir um sonho com a realidade, e
serenamente, eu sairia da realidade para entrar no sonho. A dose ideal viria como a bala certeira da arma, como um bom cálculo de
peso e força, como a nítida quantidade de solução. A dose ideal viria numa
tarde tranquila de quinta-feira, quando o sol se põe nítido e translúcido lá
fora. A dose ideal viria em qualquer dia normal, com a casa em ordem e a comida
farta na geladeira, com o banheiro limpo e a cama arrumada, a mesa posta e as
contas pagas. A dose ideal viria em um dia bom para todos, como uma continuação
da vida, mas o fim dela para outra pessoa. A dose ideal viria como uma forte
tempestade após um lindo dia de sol.

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