terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A arte do desapego


(Marilyn Monroe fotografada no Hotel Ambassador, NY, em 1955).

É incrível a nossa capacidade de adaptação. Parece que quanto mais velhos ficamos, mais aprendemos a nos desapegar de objetivos, pessoas e preocupações. A gente acaba criando uma película a fim de nos proteger ou evitar certas dores de cabeça desnecessárias. Há alguns anos atrás eu me via constantemente ansiosa pela vida, pelo trabalho, pela faculdade, por diversos motivos que eu não tinha como controlar. Eu não iria conseguir fazer o tempo passar mais rápido para que, assim, eu pudesse viver tudo isso o quanto antes. Não vou me vangloriar aqui dizendo que hoje sou uma pessoa totalmente controlada e livre de ansiedade e emoções de afobação, mas digamos que tenho conseguido me conter e lidar com isso de forma melhor. Hoje eu me pego pensando, sentada no terraço do meu Jk, em quantas coisas eu já conquistei. Eu, sozinha, conquistei o meu lugarzinho ao sol, mesmo que ele seja um Jk pequeno mas bem localizado em Porto Alegre. Eu conquistei o rompimento do cordão umbilical que me ligava aos meus pais no dia em que resolvi me mudar para a capital. Eu conquistei meu primeiro emprego sem o famoso jeitinho do interior (indicação dos pais ou trabalhando com os pais). Eu conquistei meus móveis, todos pagos por mim e não interessa que foram negociados em 10 vezes. Eu conquistei a minha faculdade e só eu sei o quanto é suado quitar ela todos os meses. Tenho hoje tantos motivos de orgulho que não me apego mais sofrendo por antecipação. Não quero parecer solitária ou egoísta, ou até mesmo individualista, mas eu mesma me basto. Chega uma hora em que a gente cansa de ficar esperando visita em casa e se vê bem melhor apenas com a sua própria companhia.

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