quarta-feira, 9 de abril de 2014

Far away, so close

(Cena do filme "Garota, Interrompida", dirigido por James Mangold em 1999. Na cena, Winona Rider).

Deve haver alguma outra vida, ela pensou, olhando pela janela do ônibus, respingada com os últimos resquícios da chuva do final da tarde. Deve haver outro modo de fazer as coisas, de seguir, de relacionar-se, de viver sem ser nessa loucura desenfreada. Ela pensava se somente ela se sentia assim? Será que somente ela enxergava o mundo desse jeito? “Mas está tudo do avesso, está tudo errado!”, ela gritava interiormente consigo mesma. Tinha devaneios, sonhos, sem conseguir distinguir o que seria realidade da ficção. Suspirou longa e profundamente, mas não entendia, não entendia. Não conseguia entender por que sua cabeça andava tão confusa, por que sua alma se sentia tão sozinha e por que seu corpo andava tão cansado. Diariamente se via fugindo, correndo, com uma mochila nas costas, para um lugar distante e incomunicável. Esse era o seu desejo cotidiano. “Nem triste, nem feliz. Sentir nada é o pior sentimento do mundo”, ela concluiu, exasperada. É normal sentir-se sozinha, todo mundo se sente assim ás vezes. Mas e se sentir sozinha todos os dias, é normal? Quem determina o que é normal? Como lutar sozinha?